Levantamento será o primeiro do instituto após o início da propaganda eleitoral e pode influenciar as expectativas dos investidores, em meio à forte reação dos ativos brasileiros à pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (2).
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| Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Ronaldo Caiado. Fotos: Ricardo Stuckert, Nelson Almeida/AFP, Luiz Rebelato/Divulgação e Marina Ramos/Câmara dos Deputados |
O Datafolha ouviu 1.204 eleitores entre os dias 1º e 3 de setembro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03669/2026.
Esta será a primeira sondagem do instituto a medir os efeitos do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. O levantamento também apresenta cenários para o primeiro turno com 13 candidatos e quatro simulações de segundo turno.
Mercado reage às pesquisas eleitorais
A expectativa em torno dos novos números ganhou força depois da reação dos mercados à pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (2). O levantamento mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que apareceu com 41%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, configurando empate técnico.
No primeiro turno, Lula registrou 37%, Flávio Bolsonaro 29% e Augusto Cury (Avante) 10%.
A divulgação dos números provocou uma reação imediata nos ativos brasileiros. O Ibovespa chegou às máximas do dia e encerrou o pregão com alta de 3,05%, aos 185.205 pontos, enquanto o dólar à vista caiu 0,91%, para R$ 5,1065. Foi a terceira sessão consecutiva de queda da moeda norte-americana.
Segundo analistas ouvidos pela Reuters, parte dos investidores interpreta uma eventual redução da vantagem de Lula como um fator capaz de aumentar as possibilidades de mudança na política econômica e fiscal a partir de 2027. Essa percepção ajudou a explicar a reação positiva dos mercados aos números da Quaest.
Datafolha pode provocar nova volatilidade
É justamente nesse contexto que os números do Datafolha serão acompanhados pelos investidores. Caso o novo levantamento confirme a tendência de aproximação entre Lula e Flávio Bolsonaro, o mercado poderá interpretar o resultado como continuidade do cenário de maior competitividade eleitoral.
Por outro lado, uma ampliação da vantagem de Lula poderá produzir uma reação diferente nos ativos, especialmente entre investidores que associam o resultado eleitoral às perspectivas para as contas públicas, inflação, juros e trajetória da dívida brasileira.
A avaliação, entretanto, não depende exclusivamente das pesquisas. Analistas destacam que fatores externos e o desempenho das empresas também continuam influenciando o mercado. Na quarta-feira, por exemplo, ações de grandes empresas ligadas a commodities contribuíram para a alta do Ibovespa.
Último Datafolha
Na pesquisa anterior, divulgada em 21 de agosto, Lula aparecia com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o presidente tinha 47%, enquanto o senador registrava 43%.
A nova pesquisa, portanto, será importante para verificar se a redução da distância entre os dois principais nomes da disputa apontada por outros levantamentos também aparece no Datafolha.
Com a aproximação das eleições, o comportamento das pesquisas tende a ganhar cada vez mais importância para os mercados. Para os investidores, mudanças nas probabilidades eleitorais podem provocar alterações nas expectativas sobre política fiscal, juros, câmbio e Bolsa, aumentando a volatilidade dos ativos brasileiros.
A divulgação do Datafolha nesta quinta-feira será, portanto, acompanhada de perto não apenas pelos partidos e eleitores, mas também pelo mercado financeiro, que já demonstrou na quarta-feira a sensibilidade aos novos sinais da corrida presidencial.
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