20/08/2026

XP aponta petróleo, bancos e construtoras entre os destaques da Bolsa no 2º trimestre; varejo e telecom ficam entre os pontos negativos

Imagem criada pelo Diário do Mercado com IA
A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) apresentou resultados heterogêneos entre os setores da Bolsa brasileira. De acordo com avaliação da XP Investimentos, o período foi, de maneira geral, mais uma temporada considerada fraca para o mercado, mas algumas companhias conseguiram surpreender positivamente, enquanto outras sofreram com juros elevados, consumo enfraquecido e maior seletividade dos investidores.

O setor de óleo, gás e petroquímicos foi apontado pela XP como o principal destaque positivo do trimestre. A valorização do petróleo em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio contribuiu para melhorar o desempenho de produtoras e distribuidoras de combustíveis.

A Petrobras (PETR4) ficou entre os destaques, com resultados acima das expectativas, beneficiada pelos preços mais elevados do petróleo e por spreads de refino mais fortes. A PRIO (PRIO3) também apresentou desempenho robusto, apoiada pelo aumento dos volumes de produção e vendas.

Entre as distribuidoras, Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) foram beneficiadas por margens maiores e forte geração de caixa. A Braskem (BRKM5), por sua vez, ganhou impulso com a recuperação dos spreads petroquímicos. Segundo a XP, o Ebitda do setor avançou 79,7% na comparação anual, o melhor desempenho entre os segmentos analisados.

Embraer e WEG se destacam

No segmento de bens de capital, os resultados foram considerados mistos. A WEG (WEGE3) apresentou números superiores às expectativas, favorecida pela resiliência das operações internacionais e por ganhos de produtividade.

A Embraer (EMBJ3) foi classificada pela XP como um dos melhores resultados da temporada, com crescimento de receita, expansão de margens, forte geração de caixa e melhora nas perspectivas de rentabilidade.

Na outra ponta, Marcopolo (POMO4) sofreu com pressão de custos e margens mais fracas, enquanto a Kepler Weber (KEPL3) continuou afetada pelo ciclo mais difícil do agronegócio.

Bancos apresentam desempenho desigual

No setor financeiro, a XP avaliou os resultados como mistos. O Itaú Unibanco (ITUB4) voltou a figurar entre os destaques, combinando controle da qualidade dos ativos, excesso de capital e resultados considerados resilientes.

O Nubank (ROXO34) também recebeu avaliação positiva, principalmente pela redução do custo de crédito. O Bradesco (BBDC4) apresentou melhora operacional gradual.

Já Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) demonstraram maior pressão sobre o crédito. Entre as empresas ligadas ao mercado de capitais, BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3) continuaram beneficiados pela diversificação das receitas.

Construtoras de baixa renda surpreendem

A construção civil também apareceu entre as surpresas positivas. As incorporadoras voltadas à baixa renda foram consideradas pela XP um dos grupos mais consistentes do trimestre.

A Tenda (TEND3) foi apontada como a principal surpresa positiva, com crescimento da receita e expansão das margens. Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) também apresentaram forte desempenho operacional.

Entre as empresas de média e alta renda, a Cyrela (CYRE3) apresentou um conjunto equilibrado de resultados, enquanto a Moura Dubeux (MDNE3) registrou lucro recorde. Por outro lado, EZTEC (EZTC3), Melnick (MELK3) e Even (EVEN3) continuaram enfrentando pressão sobre receita e rentabilidade.

Shoppings, logística e mineração mantêm bons fundamentos

Multiplan (MULT3), Allos (ALOS3) e Iguatemi (IGTI11) mantiveram desempenho positivo, sustentados pelas vendas dos lojistas, elevada ocupação e baixa inadimplência.

Na área de logística, a LOG Commercial Properties (LOGG3) apresentou vacância próxima de zero e crescimento dos aluguéis, enquanto a JHSF (JHSF3) chamou atenção pelo forte avanço da receita.

Na mineração e siderurgia, a avaliação foi entre neutra e positiva. A Vale (VALE3) apresentou resultados ligeiramente acima das expectativas, favorecida por custos menores que os previstos. A Gerdau (GGBR4) também foi destaque positivo, impulsionada pelo desempenho da operação norte-americana e pela melhora das margens no Brasil.

A CSN (CSNA3), entretanto, continuou gerando preocupação devido ao elevado endividamento e à pressão sobre a geração de caixa. A Usiminas (USIM5) também enfrenta custos crescentes que podem limitar a rentabilidade nos próximos trimestres.

Telecomunicações entre as maiores decepções

O setor de telecomunicações foi classificado pela XP entre os segmentos mais problemáticos da temporada.

TIM (TIMS3) e Vivo (VIVT3) enfrentaram forte deterioração da percepção dos investidores após apresentarem lucros líquidos abaixo das expectativas. A XP relaciona o movimento às preocupações com aumento da concorrência, desaceleração do crescimento e saída de capital estrangeiro.

A TIM foi particularmente afetada pela desaceleração da receita de serviços e pela perda de assinantes. No caso da Vivo, apesar de resultados operacionais considerados sólidos, os números não foram suficientes para atender às elevadas expectativas do mercado.

Varejo continua pressionado

O varejo também permaneceu entre os segmentos mais desafiadores. Segundo a XP, a demanda continua fraca em diversas categorias diante do ambiente macroeconômico, da concorrência elevada e do menor poder de compra das famílias.

Algumas empresas, entretanto, apresentaram execução mais consistente, entre elas Alpargatas (ALPA4), Riachuelo (RIAA3), Grupo SBF (SBFG3), Track & Field (TFCO4) e C&A (CEAB3).

Já a Lojas Renner (LREN3) apareceu entre as principais decepções após reduzir suas projeções de receita. A Azzas 2154 (AZZA3) continuou pressionada por vendas fracas e estoques elevados, enquanto o varejo alimentar permaneceu sob pressão, especialmente o Grupo Mateus (GMAT3).

Saúde e transportes têm avaliação positiva

Na saúde, os hospitais foram considerados os principais vencedores. A Rede D’Or (RDOR3) se beneficiou do aumento dos volumes cirúrgicos e da redução de custos, enquanto a Mater Dei (MATD3) apresentou avanços em ocupação e no mix de especialidades.

A Fleury (FLRY3) manteve forte crescimento orgânico na área de diagnósticos e a Dasa (DASA3) avançou no processo de reestruturação. Qualicorp (QUAL3) e Blau (BLAU3), por outro lado, enfrentaram dificuldades.

O setor de transportes também teve desempenho superior à média. Localiza (RENT3), Movida (MOVI3), Vamos (VAMO3), Hidrovias do Brasil (HBSA3) e JSL (JSLG3) apareceram entre os destaques positivos, beneficiadas pelo crescimento de volumes, melhora operacional e geração de caixa.

Bolsa revela divisão entre commodities e consumo doméstico

Na avaliação da XP, os resultados do segundo trimestre reforçaram uma divisão importante no mercado acionário brasileiro.

De um lado, empresas expostas a commodities, exportações e determinados nichos específicos continuaram apresentando crescimento mais robusto. De outro, companhias ligadas ao consumo doméstico e à atividade econômica seguiram enfrentando os efeitos dos juros elevados e de uma demanda ainda enfraquecida.

O cenário indica que, mesmo diante de uma temporada de balanços considerada fraca no conjunto, houve diferenças significativas entre empresas e setores — reforçando a importância da análise individual dos resultados antes da tomada de decisões no mercado acionário.

Com informações do InfoMoney, baseada em análise da XP Investimentos. Esta matéria tem caráter jornalístico e informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos.

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