16/09/2026

BC reduz Selic para 13,75% ao ano pela quinta vez consecutiva

Copom corta a taxa básica em 0,25 ponto percentual, em decisão unânime; inflação acumulada em 12 meses está em 4,22%, enquanto mercado projeta crescimento de 1,89% para o PIB em 2026.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Banco Central reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, em decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom). Este foi o quinto corte consecutivo dos juros básicos da economia brasileira. A decisão já era esperada pelo mercado financeiro. 

O corte de 0,25 ponto percentual ocorre em um cenário de desaceleração recente da inflação, mas ainda marcado por incertezas no ambiente internacional. Segundo o Banco Central, os conflitos no Oriente Médio e as dúvidas sobre a condução da política monetária em economias avançadas aumentam a volatilidade dos preços de ativos e das commodities. 

Inflação recua, mas permanece acima da meta

Um dos fatores que abriu espaço para a continuidade da redução dos juros foi o comportamento recente da inflação.

O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, levando o acumulado em 12 meses para 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados em julho. A queda de preços também foi observada nos alimentos, que recuaram 0,34% no mês. 

Apesar da desaceleração, as projeções ainda apontam inflação acima do centro da meta. O sistema de meta contínua estabelece objetivo de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

De acordo com o último Boletim Focus citado pela Agência Brasil, o mercado financeiro projeta inflação de 4,9% em 2026, acima do teto de tolerância de 4,5%. 

Juros menores podem estimular crédito e atividade econômica

A Selic serve como principal referência para as taxas de juros da economia brasileira. Quando a taxa básica cai, existe potencial para redução do custo de empréstimos e financiamentos, além de estímulo ao consumo e aos investimentos.

Por outro lado, juros menores também reduzem a intensidade do instrumento utilizado pelo Banco Central para conter pressões inflacionárias. Por isso, a autoridade monetária acompanha simultaneamente a inflação, as expectativas, a atividade econômica e o cenário externo. 

No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central projetou crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026. A estimativa do mercado, entretanto, está em 1,89%, segundo o último Boletim Focus. 

Mercado de trabalho continua aquecido

No comunicado divulgado após a decisão, o Copom destacou que os indicadores recentes apontam para uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos.

Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho permanece aquecido. Para o Banco Central, a inflação cheia e as medidas de inflação subjacente desaceleraram nas divulgações mais recentes, mas ainda permanecem acima do centro da meta. 

Cenário externo exige cautela

O ambiente internacional continua sendo um dos principais pontos de atenção para a política monetária brasileira.

A continuidade das tensões no Oriente Médio pode afetar os preços do petróleo e de outras commodities, enquanto as decisões dos principais bancos centrais também influenciam o fluxo de capitais e os mercados emergentes.

Outro fator citado pelo Banco Central é o início do fenômeno El Niño, que pode pressionar os preços de alimentos nos próximos meses e dificultar a trajetória de desinflação. 

Selic já esteve em 15% ao ano

A atual trajetória de cortes ocorre após um período prolongado de juros elevados. Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, nível que, segundo a Agência Brasil, foi o maior em quase duas décadas.

A partir de abril, o Copom iniciou a sequência de reduções, em meio à desaceleração da inflação. Com o novo corte, a taxa básica chegou a 13,75% ao ano. 

Impactos para investidores

Para o mercado financeiro, a redução da Selic altera o equilíbrio entre investimentos de renda fixa e ativos de maior risco.

Com juros ainda elevados, aplicações pós-fixadas continuam tendo como referência uma taxa básica significativa. Ao mesmo tempo, a continuidade do ciclo de cortes pode modificar gradualmente a atratividade relativa de títulos prefixados, IPCA+, fundos imobiliários e ações, dependendo das expectativas para inflação, atividade econômica e próximas decisões do Copom.

Para empresas e consumidores, a transmissão da redução da Selic para empréstimos e financiamentos tende a ocorrer de forma gradual, já que as taxas finais também dependem do risco de crédito, dos custos bancários e das condições de cada operação.

Fonte: Agência Brasil e Banco Central. 

Postar um comentário

Whatsapp Button works on Mobile Device only