Copom corta a taxa básica em 0,25 ponto percentual, em decisão unânime; inflação acumulada em 12 meses está em 4,22%, enquanto mercado projeta crescimento de 1,89% para o PIB em 2026.
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| Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil |
O corte de 0,25 ponto percentual ocorre em um cenário de desaceleração recente da inflação, mas ainda marcado por incertezas no ambiente internacional. Segundo o Banco Central, os conflitos no Oriente Médio e as dúvidas sobre a condução da política monetária em economias avançadas aumentam a volatilidade dos preços de ativos e das commodities.
Inflação recua, mas permanece acima da meta
Um dos fatores que abriu espaço para a continuidade da redução dos juros foi o comportamento recente da inflação.
O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, levando o acumulado em 12 meses para 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados em julho. A queda de preços também foi observada nos alimentos, que recuaram 0,34% no mês.
Apesar da desaceleração, as projeções ainda apontam inflação acima do centro da meta. O sistema de meta contínua estabelece objetivo de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
De acordo com o último Boletim Focus citado pela Agência Brasil, o mercado financeiro projeta inflação de 4,9% em 2026, acima do teto de tolerância de 4,5%.
Juros menores podem estimular crédito e atividade econômica
A Selic serve como principal referência para as taxas de juros da economia brasileira. Quando a taxa básica cai, existe potencial para redução do custo de empréstimos e financiamentos, além de estímulo ao consumo e aos investimentos.
Por outro lado, juros menores também reduzem a intensidade do instrumento utilizado pelo Banco Central para conter pressões inflacionárias. Por isso, a autoridade monetária acompanha simultaneamente a inflação, as expectativas, a atividade econômica e o cenário externo.
No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central projetou crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026. A estimativa do mercado, entretanto, está em 1,89%, segundo o último Boletim Focus.
Mercado de trabalho continua aquecido
No comunicado divulgado após a decisão, o Copom destacou que os indicadores recentes apontam para uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos.
Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho permanece aquecido. Para o Banco Central, a inflação cheia e as medidas de inflação subjacente desaceleraram nas divulgações mais recentes, mas ainda permanecem acima do centro da meta.
Cenário externo exige cautela
O ambiente internacional continua sendo um dos principais pontos de atenção para a política monetária brasileira.
A continuidade das tensões no Oriente Médio pode afetar os preços do petróleo e de outras commodities, enquanto as decisões dos principais bancos centrais também influenciam o fluxo de capitais e os mercados emergentes.
Outro fator citado pelo Banco Central é o início do fenômeno El Niño, que pode pressionar os preços de alimentos nos próximos meses e dificultar a trajetória de desinflação.
Selic já esteve em 15% ao ano
A atual trajetória de cortes ocorre após um período prolongado de juros elevados. Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, nível que, segundo a Agência Brasil, foi o maior em quase duas décadas.
A partir de abril, o Copom iniciou a sequência de reduções, em meio à desaceleração da inflação. Com o novo corte, a taxa básica chegou a 13,75% ao ano.
Impactos para investidores
Para o mercado financeiro, a redução da Selic altera o equilíbrio entre investimentos de renda fixa e ativos de maior risco.
Com juros ainda elevados, aplicações pós-fixadas continuam tendo como referência uma taxa básica significativa. Ao mesmo tempo, a continuidade do ciclo de cortes pode modificar gradualmente a atratividade relativa de títulos prefixados, IPCA+, fundos imobiliários e ações, dependendo das expectativas para inflação, atividade econômica e próximas decisões do Copom.
Para empresas e consumidores, a transmissão da redução da Selic para empréstimos e financiamentos tende a ocorrer de forma gradual, já que as taxas finais também dependem do risco de crédito, dos custos bancários e das condições de cada operação.
Fonte: Agência Brasil e Banco Central.
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