16/09/2026

Fed sobe juros nos EUA pela primeira vez em três anos e sinaliza nova alta ainda em 2026

Federal Reserve elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%, em decisão unânime nesta quarta-feira (16); inflação continua acima da meta de 2%.

Banco Central EUA | Foto: Getty Images
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (16 de setembro de 2026) elevar a taxa de juros americana em 25 pontos-base, levando o intervalo dos Fed Funds para 3,75% a 4% ao ano. A decisão foi aprovada por unanimidade, em votação de 12 a 0. 

A elevação representa a primeira alta dos juros pelo Fed desde julho de 2023 e ocorre em um momento de preocupação com a inflação americana, que permanece acima da meta oficial de 2%. 

Fed sinaliza possibilidade de nova alta

Além da decisão desta quarta-feira, as novas projeções econômicas do FOMC indicam que os dirigentes do Fed ainda consideram possível um novo aumento dos juros antes do fim de 2026.

A mediana das projeções aponta para uma taxa de 4,1% no final de 2026, acima do atual intervalo de 3,75% a 4%. Para 2027, a mediana permanece em 4,1%, enquanto para 2028 cai para 3,9%. 

O cenário divulgado pelo banco central também prevê inflação medida pelo PCE de 3,7% em 2026, recuando para 2,3% em 2027 e 2,1% em 2028. A meta de 2% só aparece novamente nas projeções para 2029. 

Atividade econômica continua resistente

No comunicado, o Fed afirmou que a atividade econômica dos Estados Unidos segue crescendo em ritmo sólido. O banco central também destacou a resistência dos gastos domésticos, o crescimento da produtividade e os investimentos elevados.

O mercado de trabalho também foi considerado relativamente estável, com os ganhos de empregos acompanhando o crescimento da força de trabalho e pouca alteração na taxa de desemprego. 

Impacto nos mercados

A decisão aumenta a atenção dos investidores sobre dólar, Treasuries, bolsa americana, ouro e ativos de risco, já que juros mais elevados nos Estados Unidos tendem a aumentar a atratividade relativa dos títulos americanos e podem elevar o custo global do dinheiro.

Após a decisão, o dólar ganhou força e os juros dos títulos de curto prazo dos EUA avançaram, enquanto os mercados passaram a avaliar a possibilidade de novas altas ao longo dos próximos meses. 

Para o Brasil, a decisão também é relevante. Um ambiente de juros americanos mais elevados pode influenciar o fluxo de capital para mercados emergentes, o câmbio e as condições financeiras brasileiras, fatores acompanhados de perto pelo mercado doméstico.

A decisão ocorre no mesmo dia em que o Banco Central do Brasil reduziu a Selic para 13,75% ao ano, criando um cenário de diferencial de juros ainda elevado entre Brasil e Estados Unidos.

Em resumo: o Fed não apenas elevou os juros nesta Super Quarta, como deixou claro que a inflação continua sendo uma preocupação e que uma nova alta ainda em 2026 permanece no radar. 

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