24/09/2026

Ibovespa cai 0,86% aos 185,8 mil pontos, enquanto dólar dispara a R$ 5,17 em dia de forte aversão ao risco

Bolsa brasileira acompanhou a piora dos mercados internacionais, pressionada pela alta dos Treasuries e pela perspectiva de juros americanos elevados; Petrobras avançou com petróleo em alta, enquanto dólar atingiu maior fechamento desde agosto.

Imagem criada pelo Diário do Mercado com IA
O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira (23) em queda de 0,86%, aos 185.814,09 pontos, após oscilar entre o campo negativo e positivo ao longo do pregão. O índice chegou a ensaiar uma recuperação durante o dia, mas perdeu força diante da deterioração do ambiente externo e da alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

A sessão foi marcada por maior cautela entre os investidores diante da perspectiva de juros americanos mais elevados. A elevação dos rendimentos dos Treasuries aumenta a atratividade relativa dos ativos de renda fixa dos Estados Unidos e pode estimular a transferência de recursos para o mercado americano, pressionando bolsas de países emergentes.

Dólar dispara e fecha a R$ 5,1689


No mercado de câmbio, o movimento foi ainda mais intenso. O dólar à vista fechou em alta de 1,27%, a R$ 5,1689, maior nível de fechamento desde 31 de agosto, quando terminou o dia em R$ 5,1814. No acumulado de 2026, entretanto, a moeda ainda registrava queda de 5,83%.

Durante o pregão, o dólar chegou a oscilar em baixa, atingindo a mínima de R$ 5,1214, às 10h30. Mais tarde, avançou até a máxima de R$ 5,1769, às 14h40. O contrato futuro para outubro terminou com alta de 1,20%, aos R$ 5,1715.

Segundo o , o movimento da moeda brasileira foi influenciado tanto pelo cenário internacional quanto pelo ambiente político doméstico. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã mostrou 47,7% para Lula e 47,4% para Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, dentro da margem de erro de um ponto percentual, caracterizando empate técnico.

Cenário externo pesa sobre os mercados


Além do ambiente eleitoral brasileiro, a força do dólar no exterior contribuiu para a pressão sobre o real.

O PMI composto dos Estados Unidos, divulgado pela S&P Global, subiu de 56,0 em agosto para 58,4 em setembro, maior nível desde julho de 2021. Leituras acima de 50 indicam expansão da atividade privada.

O dado reforçou a percepção de uma economia americana ainda aquecida e, consequentemente, aumentou a atenção dos investidores para a trajetória dos juros nos Estados Unidos. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de seis moedas, avançava 0,54%, aos 101,090 pontos, às 17h05.

O Banco Central brasileiro também informou que houve saída líquida de US$ 7,078 bilhões do Brasil em setembro até o dia 18. Pela manhã, a autoridade monetária vendeu 30 mil contratos de swap cambial com vencimento em 1º de outubro, em operação de rolagem.

Petrobras sobe com petróleo, enquanto Vale e bancos recuam


Na Bolsa brasileira, a alta do petróleo ajudou a limitar as perdas do Ibovespa e sustentou as ações de empresas do setor.

A Petrobras teve forte desempenho: as ações preferenciais PETR4 avançaram 2,59%, enquanto as ordinárias PETR3 subiram 2,61%. A Prio também terminou o pregão em alta de 0,66%.

Na direção contrária, a Vale, uma das empresas de maior peso no índice, recuou 1,85%.

Entre os grandes bancos, o Bradesco caiu 2,20%, enquanto o Itaú Unibanco registrou baixa de 1,88%.

Bolsas de Nova York também fecham no vermelho


O movimento negativo não ficou restrito ao Brasil. Em Nova York, os principais índices acionários encerraram o dia em queda:

  • Dow Jones: -0,68%
  • S&P 500: -0,75%
  • Nasdaq: -1,13%

A pressão sobre as bolsas americanas ocorreu em meio à elevação dos rendimentos dos Treasuries e à avaliação dos investidores sobre a possibilidade de manutenção de juros elevados nos Estados Unidos.

A menor perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã também contribuiu para a deterioração do ambiente de risco, enquanto as tensões geopolíticas seguem sendo monitoradas pelos mercados.

Maiores altas e quedas


Entre os papéis listados nos dados do pregão, João Fortes Engenharia (JFEN3F) apareceu entre as maiores altas, com avanço de 85,71% em uma das referências apresentadas.

Na ponta negativa, os papéis relacionados à Azul registraram fortes perdas, com AZUL97 recuando 26,53% e AZUL99 caindo 24,00%.

Volume movimentado na B3


O pregão desta quarta-feira movimentou R$ 29,74 bilhões na B3, distribuídos em aproximadamente 3,48 milhões de negócios.

O resultado deixou um retrato de um mercado dividido entre fatores domésticos e externos: de um lado, a alta do petróleo favoreceu empresas do setor; de outro, a valorização do dólar, a alta dos Treasuries e a preocupação com a trajetória dos juros americanos aumentaram a pressão sobre os ativos de risco.

Para o investidor brasileiro, a combinação entre dólar em forte alta, juros americanos elevados, petróleo, cenário geopolítico e eleições de 2026 permanece como um dos principais conjuntos de fatores capazes de provocar volatilidade nos próximos pregões.

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