Levantamento da Elos Ayta compara o desempenho de 12 aplicações financeiras durante o governo Jair Bolsonaro (2019-2022) e o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (2023 até setembro de 2026). Os dados mostram como o IPCA é o fator decisivo para transformar rendimentos nominais em ganho real.
Ao analisar a rentabilidade dos investimentos no Brasil, olhar apenas para os números brutos pode gerar uma falsa sensação de ganho. Um estudo recente elaborado pela Elos Ayta Consultoria e divulgado em parceria com Barsi Investimentos e XP revela como a inflação (IPCA) altera profundamente o ranking das melhores e piores aplicações financeiras quando se comparam as gestões de Jair Bolsonaro (2019-2022) e Luiz Inácio Lula da Silva (2023-setembro de 2026).Rentabilidade acumulada vs. Ganho Real: A armadilha do rendimento nominal
Em termos brutos (sem descontar a inflação), o atual governo Lula leva a melhor em 8 das 11 principais aplicações tradicionais analisadas. No entanto, a análise ganha novos contornos quando ajustada pelo IPCA do período.
Durante o governo Bolsonaro, a inflação acumulada foi de 26,93%. Já no terceiro mandato de Lula (até setembro de 2026), o IPCA registrado foi de 17,90%.
Essa diferença no custo de vida impacta diretamente a renda fixa e a bolsa de valores:
* CDI: No governo Bolsonaro, o CDI rendeu 27,79% no nominal, mas gerou um ganho real de apenas +0,7% acima da inflação. Já no governo Lula 3, a alta nominal de 57,46% resultou em um ganho real de +33,6%.
* Ibovespa: Durante a gestão Bolsonaro, o principal índice acionário recuou -1,6% em termos reais (+24,86% nominal). Sob a gestão Lula 3, o Ibovespa acumula valorização real de +44,2% (+69,96% nominal).
* Poupança: No mandato anterior, aplicar na poupança significou perda de poder de compra (-6,8% real). No período atual, a caderneta entrega retorno real positivo de +12,9%.
O câmbio mudou de lado
Outro ponto destacado pelo estudo é o comportamento das moedas estrangeiras. Entre 2019 e 2022, a busca por dolarização serviu como proteção patrimonial: o Dólar PTAX subiu 34,66% nominalmente, garantindo um ganho real de +6,1%.
No período entre 2023 e setembro de 2026, o cenário se inverteu. O dólar acumula variação nominal negativa de -1,32% e, quando corrigido pela inflação, apresenta uma perda de poder de compra de -16,3%. A mesma retração ocorre com o Euro PTAX, que despencou -9,5% em termos reais no período recente.
Bitcoin: A exceção fora da curva política
Alheio às diretrizes do Palácio do Planalto ou à conjuntura macroeconômica brasileira, o Bitcoin foi o ativo de melhor desempenho global em ambos os períodos.
* 2019–2022 (Bolsonaro): Alta nominal de 495,58% e ganho real de +369,2%.
* 2023–set/2026 (Lula 3): Alta nominal de 342,86% e ganho real de +275,6%.
O estudo ressalta que as razões da valorização do criptoativo passam longe de Brasília, consolidando-se como um ativo de alta volatilidade e dinâmica própria no mercado internacional.
O que os dados ensinam ao investidor
A análise conclui com alertas fundamentais para a montagem de carteiras e alocação de ativos:
1. Nenhum resultado é fruto isolado de um governo: Fatores globais, taxas de juros externas, preços de commodities e choques de oferta influenciam diretamente o mercado nacional.
2. Períodos com durações distintas: O mandato de Bolsonaro é um ciclo fechado de quatro anos (2019–2022), enquanto o terceiro mandato de Lula traz dados em andamento (com dados apurados até setembro de 2026).
3. A vitória da diversificação: Apostar em uma tese única — seja dólar, ações de menor capitalização (Small Caps) ou renda fixa tradicional — resultou em perdas em pelo menos um dos ciclos analisados.
4. Cuidado com o ciclo eleitoral: Ajustar a carteira guiando-se exclusivamente por viés político costuma gerar erros tanto no momento de entrar quanto no de sair das posições. O foco principal do investidor deve permanecer no retorno real acima do IPCA para garantir a preservação do patrimônio.

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