24/09/2026

Operação Carbono Oculto mira ex-diretor do Banco Genial e empresário ligado ao caso Master nesta quinta-feira (24)

Terceira fase da investigação cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados e apura suposta estrutura de lavagem de dinheiro utilizada na aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis.

Foto: Divulgação/MPSP
A terceira fase da Operação Carbono Oculto, denominada Operação Crédito Oculto, foi deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal e outros órgãos. A ação tem entre os alvos um ex-executivo do Banco Genial e um empresário ligado às investigações envolvendo o antigo Banco Master.

Ao todo, são cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. Os mandados estão relacionados a endereços de 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas.

Entre os alvos está Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, além de seus irmãos André e Bruno Tupinambá. Também é alvo da operação o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos e citado nas investigações relacionadas ao Banco Master.

Investigação envolve aquisição da distribuidora Terrana


Segundo a Receita Federal e o Ministério Público paulista, a investigação apura uma estrutura financeira e societária que teria sido utilizada para ocultar os verdadeiros beneficiários econômicos de uma empresa sucroalcooleira e, posteriormente, viabilizar a aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.

As autoridades afirmam ter identificado diferentes camadas envolvendo fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais, empresas de fachada, instituições financeiras e estruturas de fintechs.

Um dos pontos investigados envolve uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios relacionados à usina sucroalcooleira. De acordo com a Receita, a movimentação teria criado um fluxo financeiro circular capaz de dificultar a identificação dos reais beneficiários dos recursos.

R$ 100 milhões teriam sido usados na aquisição


A Receita Federal afirma ainda que a usina recebeu aproximadamente R$ 100 milhões enviados pela organização investigada para financiar a aquisição da distribuidora de combustíveis.

Segundo os investigadores, o dinheiro teria passado rapidamente por diferentes contas antes de chegar à empresa que participaria da operação. A estrutura envolveria também fundos de investimento e empresas utilizadas como veículos para separar a origem dos recursos dos beneficiários finais.

A empresa financeira apontada nas investigações teria movimentado cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025, segundo a Receita Federal. Para os investigadores, o volume, analisado em conjunto com outros elementos, reforça os indícios de utilização de estruturas financeiras para ocultação patrimonial e dissimulação da origem de recursos.

Banco Genial afirma que não é investigado


O Banco Genial informou que a instituição não é alvo da investigação. Segundo informações divulgadas pela imprensa, Humberto Tupinambá deixou a instituição em maio de 2026, após ter sido afastado dos processos decisórios relacionados às operações investigadas. O banco afirma que colaborou com as autoridades e forneceu informações sobre operações relacionadas aos fundos mencionados na investigação.

A instituição também informou que adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo processo interno de inspeção e revisão de procedimentos relacionados às operações de crédito.

Desdobramento da Carbono Oculto


A Operação Carbono Oculto foi iniciada em 2025 e investiga suspeitas de infiltração de organizações criminosas no setor de combustíveis e no sistema financeiro.

Nesta nova etapa, o foco das autoridades está nas estruturas financeiras utilizadas para viabilizar negócios e movimentações patrimoniais que, segundo a investigação, poderiam ocultar a origem dos recursos e os verdadeiros beneficiários econômicos.

As apurações ainda estão em andamento. Ser alvo de mandado de busca e apreensão não significa, por si só, condenação ou comprovação de responsabilidade criminal, e as suspeitas deverão ser analisadas no decorrer do processo.

Para o mercado financeiro, o avanço da investigação coloca novamente em evidência a importância dos mecanismos de compliance, controles internos, identificação de clientes, prevenção à lavagem de dinheiro e governança nas instituições que participam de operações estruturadas envolvendo fundos, crédito e outros instrumentos financeiros.

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